sexta-feira, 6 de maio de 2016

Antigamente

As palavras, como as pessoas, nascem e morrem. A diferença entre elas e nós é que podem ressuscitar. Um dia, quando menos esperamos, deparamo-nos com um arcaísmo que nos faz voltar à infância (esse “deparamo-nos”, com o pronome enclítico, já não seria um?).
Outro dia eu estava listando uns termos que ouvia quando era menino e que hoje praticamente não se dizem mais. Alguns se tornaram esquisitos; outros preservam um sabor que nos desperta o desejo de resgatá-los.
Hoje se diz de alguém convencido e presunçoso que é esnobe. Antigamente, uma pessoa desse tipo “só queria ser as pregas”. Por que as pregas? Pedi a ajuda da minha mulher, que logo matou a charada: na roupa feminina, as pregas são o que dá mais trabalho. Constituem um requinte, uma marca de distinção. 
Pirralho mal-educado a gente tratava “no cascudo”. Ou no “cocorote”. Levei vários deles, por sinal, e nem por isso fiquei ruim da cabeça. Ruim da cabeça? Naquele tempo ninguém falava assim. Dizia-se “leso”, “abilolado”. Os cascudos eram para mostrar que a criança tinha de obedecer aos pais “sem tugir nem mugir”, eu seja, sem murmúrio nem grito.
Homem usava “brilhantina”. Mulher, “laquê”. Cheguei a acompanhar meus pais a alguns bailes em que os cabelos dos homens eram um lustre só. Ainda não entrara em cena o xampu com a sua variedade de nutrientes que se ajustam aos vários tipos de fios. Fossem os cabelos secos, oleosos, lisos, encaracolados, louros, pretos ou brancos, a inevitável brilhantina os untava da mesma forma e impedia, se fosse o caso, que se revolvessem no atropelo da dança (mas que risco para isso as dolentes valsas podiam representar?).
Nesses bailes, por sinal, chamava-se a mulher para dançar pedindo-lhe que “concedesse uma parte”. Ela nem sempre se dispunha a saracotear com o “janota”, que achava “espeto” receber a negativa. “Espeto” se aplicava a pessoa ou situação difícil de suportar. Surgiu, certamente, por analogia com o objeto perfurante encontrado hoje nos rodízios de carne, peixe, pizza. A rejeição da mulher era mesmo um golpe, um furo na autoestima do cavalheiro, que tinha vontade de por causa disso provocar um “sururu”.
Mas ele nem sempre se dava por vencido, e às vezes conseguia se vingar. Dando uma “rabiçaca” em quem o rechaçou, por exemplo, ou esfregando-lhe na cara um “pedaço de mau caminho”. Isso: uma garota boazuda, fornida, “de fechar o comércio”, que fazia a outra se sentir um “sibito baleado”. 
E os nomes? Naquele tempo os homens se chamavam Anfilófio, Eleutério Salustiano. As mulheres: Eudóxia, Escolástica, Alaor. E os utensílios? Como nos quartos não havia banheiro, fazia-se xixi no “urinol”, que após o uso era pudicamente colocado embaixo da cama. Comida se guardava no “petisqueiro”, e no guarda-roupa se amontoavam sapatos ao lado de roupas. Algumas, para o gosto de hoje, muito “ababecadas”.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Cheiros e choro

Por volta das cinco da tarde, Dalila entra no escritório e começa a olhar para mim. Não late, não gane, não esperneia. Apenas espera. Se insisto em continuar diante do computador, ela eriça as orelhas numa repreensão muda. Caso eu continue indiferente, ameaça se baixar como se dissesse: se você não se levanta, faço aqui mesmo.
Esse argumento é decisivo. Levanto-me, passo a coleira em torno do seu pescoço, borrifo-lhe um pouco de repelente contra carrapatos e desço com ela as escadas rumo ao calçamento. Dalila é instruída, segura-se o quanto pode e só nas cercanias de um terreno baldio faz suas necessidades.
Envolvo a matéria num plástico e jogo-a num lixo próximo, longe dos olhos e narizes de quem passa. Gesto civilizado, que vi faz muito tempo num filme francês. Muita gente por aqui ainda não o copia; prefere fazer da rua privada de cães e acrescentar mais um argumento a quem não gosta dos bichos. Não é agradável recolher “aquilo”, é verdade; mas a civilização impõe deveres de que a gente não pode nem deve se esquivar. 
Depois de aliviada, Dalila começa o seu passeio. Passa o dia em casa aguardando esses 10 ou 15 minutos de rua, quando pode percorrer um espaço maior e cheirar à vontade. Li certa vez que para tirar o estresse do cão não é preciso levá-lo para passear; basta fazê-lo cheirar um espaço que para ele seja novo. A diversidade de odores que encontra ali revigora-lhe a alma, a sensibilidade, o espírito, ou que nome tenha o centro de suas emoções.
Um palmo de terreno, monótono e insípido para nós, pode ser para ele uma excursão turística de cheiros. Seu olfato capta gradações que ultrapassam de muito os limites para os quais nossas narinas estão equipadas, os quais vão, grosso modo, do perfume francês a um desses esgotos de favela. O resto ignoramos.
Não temos, de fato, a hipertrofia de um sentido como a têm os cães em relação ao cheiro, ou as águias quanto à visão. Sentimos tudo dispersamente, por igual, o que não é vantajoso. Se nada chega ao intelecto sem passar pelos sentidos, talvez esteja nessa dispersão a fonte da nossa ignorância do mundo. Como captá-lo, como compreendê-lo, se o nosso cérebro padece de anemia sensorial?
Vejam se não tenho razão: Dalila me puxa pela coleira e vai sugando o chão com as narinas. Isso a impulsiona a ponto de quase me fazer deixá-la escapar. Parece um aspirador vivo na ânsia de absorver os menores resíduos olfativos da paisagem, e sairá dessa experiência plenificada.  Enquanto isso, eu me desligo das sensações em volta pensando nestas besteiras que o leitor está lendo. Tudo para depois, friamente, redigir um texto diante do computador. Qual dos dois está certo?  

Cantigas perigosas

O politicamente correto chegou às cantigas infantis. A partir de agora devemos ter muito cuidado com o que cantamos para as crianças. Uma simples canção de ninar pode embutir um significado nocivo, capaz não só de amedrontá-las como também de marcar-lhes negativamente a personalidade.
Fui criado ouvindo “Atirei o pau no gato” sem perceber o quanto esses versos incitam à violência contra os animais. O título já é bem sugestivo, mas os detalhes são de arrepiar. Diz-se em certa passagem que uma tal de Dona Chica admirou-se “do berrô, do berrô que o gato deu”. Em vez de se compadecer do felino, a mulher fica pasma e passiva ouvindo-lhe os gritos e talvez se deliciando com a manifestação de dor. Como se isso não bastasse, a letra tem uma mensagem antiecológica. De onde teria vindo o pau atirado no gato, se não de uma árvore destruída por algum madeireiro ganancioso?
         “O cravo brigou com a rosa” tem uma sugestão bélica que não fica bem a duas flores. Delas se espera ternura, concórdia, enlace amoroso -- e não que fiquem se despetalando de raiva uma da outra. E o famoso “Boi da cara preta”? Geralmente se canta essa música para fazer as crianças dormir, mas como levá-las ao sono ameaçando-as com um bicho escuro que, ainda por cima, as aterroriza com caretas? Se dormirem, coitadas, vão ter horríveis pesadelos.
Ninguém também se iluda com a aparente inocência de “Ciranda, cirandinha”, que não traz nenhum exemplo de bom comportamento moral. Pelo contrário, realça a mentira e a quebra de compromisso. Alguém dá a uma moça um anel de vidro dizendo que ele é de material mais resistente. O resultado é que a joia se quebra -- mas eis o pior: sua fragilidade simboliza o amor de quem deu o presente. Um falso.
Outra cantiga que nada tem de edificante é a que acompanha a história da Dona Baratinha. No início da letra alguém pergunta quem quer casar com ela. Espera-se, obviamente, que a noiva possua predicados que a habilitem a ser uma boa esposa: fidelidade, apego ao lar, disposição para ser mãe. Em vez disso ouvimos um tanto desapontados que ela “tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha”.  Ou seja, exalta-se apenas a vaidade da pretendente e, pior, insinua-se ao eventual marido a possibilidade de um golpe do baú. Não surpreende que o candidato seja um tal de... Dom Ratão. Felizmente o esperto teve o destino que merecia, morrendo cozinhado numa panela. 
“Samba Lelê”, quem não conhece? Hoje não se deve mais cantá-la devido àquela referência a “umas boas lambadas”. É impossível aceitar isso numa época em que a Lei da Palmada se dispõe a livrar as crianças de castigos corporais. E quanto a “Pai Francisco”? Vocês vão dizer que é do mais inofensivo humor. Que tem demais afirmar que o homem “parece um boneco desengonçado”? Já vi que não prestaram atenção ao verso que vem antes; nele se diz que o tal Francisco vem “todo requebrado”.  Hum... Homem se requebrando? Isso lança uma suspeita sobre a sua identidade sexual, e não fica bem às crianças deparar-se tão cedo com tais ambiguidades.   
Se queremos adultos equilibrados, precisamos cantar para nossos meninos outras canções. O problema é saber quais. Enquanto não descobrimos, o mais prudente é niná-los com o inofensivo “ããã, ããã, ããã”. Qualquer fonema ou palavra a mais pode ser perigoso. Muito perigoso.

Descasados

Vez por outra o grupo se reunia para fazer um balanço da vida. Curiosamente, todos estavam sós. O assunto daquela noite foi a razão pela qual os casamentos falharam (Euclides, o intelectual da turma, chegou a criar uma frase de que todos gostaram muito: “O  casamento é um estágio desnecessário rumo à solidão”).
Quem primeiro falou foi Zuleide:
-- Me casei com um engenheiro. Deu errado porque ele queria mudar meus alicerces. Resisti, esbravejei, e da nossa relação não ficou pedra sobre pedra. 
-- Pois eu -- explicou Valfredo -- fui casado com uma jornalista. Ela era apressada e neurótica. Em nossos momentos íntimos, que eram raros, só pensava se a cobertura ia resultar num grande furo. Além disso, tinha medo de perder o emprego por causa de uma “barriga”. Terminei indo embora.
-- Meu caso foi pior -- falou Osmar. -- Casei-me com uma promotora. Vivia, claro, me acusando. Era uma relação cheia de altos e baixos. Tudo que eu fazia era usado contra mim. Afastei-me, não havia outro recurso.  
Foi a vez de Clotilde justificar o seu fracasso: 
         -- Nestor era guarda de trânsito. No início tudo correu bem. Com o tempo, ele começou a reclamar de que eu não lhe dava mais bola. Dizia que eu avançara o sinal, tinha outro, e devia ser penalizada por essa infração. Fui perdendo o respeito em casa, onde só ele apitava. Pedi o divórcio.
-- E você, Nemésio? -- quis saber alguém.
-- Ah, eu me casei com uma costureira. Nos primeiros meses, éramos casa e botão. Com o tempo ela foi perdendo a linha, e numa briga me furou com um alfinete. Antes que me agredisse com uma tesoura, resolvi me escafeder.
Elogiaram a prudência de Nemésio. Uma tesoura provocaria danos bem mais graves do que um alfinete... Foi Suênio quem interrompeu os comentários do grupo:
-- Minha mulher era psicóloga. Quando colocou um divã no quarto, pensei que era para nosso conforto -- mas ela queria me analisar.  Descobriu que eu tinha uma série de complexos. Isso afetou de tal modo a minha autoestima, que quando ela estalava os dedos corríamos eu e Totó. Eu já não sabia quem era, ou se era alguém. Saí da relação com uma bruta crise de identidade. Au!
Mércia foi a próxima a falar: 
-- Meu marido era marinheiro. Passava três, quatro meses no mar, e quando voltava não queria içar a vela. Perguntei se ele tinha “outra”. Ele respondeu que era quase isso; eu errara pelo gênero. Nunca pensei que essa fosse a praia dele! Também não fiz tempestade, e dissemos adeus numa boa.
Faltava Doroteia, que não se fez de rogada:
-- Pois eu, pessoal, fui casada com um político. No início me encantei com o discurso cheio de promessas, mas logo descobri que era tudo demagogia. Mesmo em casa, ele só queria palanque. A gota d’água foi quando eu soube que umas tais reuniões para discutir  estratégias de campanha eram um eufemismo para os encontros com Elisete -- uma de suas assessoras. Essa não tinha nada de “fantasma”, era mesmo de carne e osso. Sei disso porque quebrei alguns.

Quase cantor

Além de quase médico, fui também quase cantor. Para entender como isto se deu é preciso remontar ao início da década de 1980, quando fiz o Mestrado no Rio de Janeiro. Como tinha tempo livre, pois fora liberado pela UFPB somente para estudar, resolvi fazer um curso de empostação vocal. 
Decisão tomada, consultei os classificados do “Jornal do Brasil”, onde me deparei com um anúncio: “Sílvia Lamounier – rejuvenescimento vocal”. Era mais do que eu desejava: não apenas empostar, arranjar direito as sílabas, controlar a emissão da voz, mas também rejuvenescê-la. A professora morava numa transversal da Av. Nossa Senhora de Copacabana. Tive que ir de ônibus até lá, pois a linha de metrô que liga o Flamengo a Copacabana ainda estava em construção.
Recebeu-me uma simpática senhora de cabelos escuros e olhos vivos. Tinha um ar de prima-dona, o que me infundiu confiança. Quem sabe não teria cantado em alguma ópera e hoje, aposentada, se dedicava a passar parte da sua experiência a pessoas como eu? Comoveu-me a expectativa de partilhar daquele resto de glória, embeber-me da luz que dela ainda se irradiava.
Devaneios à parte, perguntei o preço da aula. Não era nada de fazer perder a voz, mesmo porque naquela época vivia-se a Era Sarney e meu salário quase dobrava de um mês para o outro. Antes que a inflação o comesse, dava para fazer pequenas viagens e gastar com alguns extras.
Definimos o horário, e passei a ter aulas duas vezes por semana. Dona Sílvia me instruía nos vocalises e me ensinava a respirar. A respirar, sim, pois até para esse ato simples, fisiológico, vital, precisamos de um aprendizado. Não respiramos bem e levamos pouca energia ao corpo. Sem energia, não há como soltar a voz. A professora mostrou que a minha estava presa, encaramujada em não sei que dobras do aparelho fonador, e era preciso libertá-la. Os instrumentos para isso eram técnica e respiração.   
Aos poucos a voz foi saindo, ou melhor, se esculpindo. Após algumas semanas me ouvi cantando canções cujas letras eu não compreendia bem, pois eram em italiano. Entendia melhor quando eram em francês. Vez por outra ainda cantarolo uma berceuse que eu executava em dueto com a professora... Foi o que ficou daquela época, pois as aulas não duraram muito. Fui percebendo que ao embalo da música eu começara a esquecer por que estava ali: aprender a usar a voz para não a desgastar em sala de aula. Era um professor, não um aprendiz de cantor lírico.
Isso pedia realismo e objetividade. Fui de novo aos classificados e procurei uma fonoaudióloga. Essa era objetiva e tratou logo de corrigir minha respiração; o ar tinha que vir do abdômen e não do tórax... As aulas agora eram frias, sem duetos nem repertório musical.
Não sei se fiz bem deixando as lições de canto. Dona Sílvia dizia que eu levava jeito. Poderia ser hoje um barítono, ou um tenor. Mas, enfim. Resolvi mesmo desafinar em outras áreas (e não “árias”) da vida.

Dizer pelo avesso

Nossa língua é incoerente ou somos nós os estranhos? A gente...

- está insatisfeito com alguém vai e “tomar satisfação”.
- obriga alguém a ir embora, dizendo: “Queira se retirar”.
- acha “bárbara” uma festa em que não ocorreu nenhuma atrocidade.
- chama de “legal” um comportamento que nem sempre respeita a lei.
- faz “seguro de vida” para obter uma garantia que só virá com a morte.
- diz “Tudo bem...” diante de uma coisa que aceita a contragosto.
- chama de “tira-gosto” um alimento que vai tornar suportável a bebida.
- exclama “Essa é boa!” diante de uma coisa que, no fundo, achou ruim.
- e “Só faltava essa!” a propósito de algo que de boa vontade dispensaria.
- chama de “genial” o que às vezes não está nem acima da média.
- manda preparar uma “simpatia” para prejudicar aqueles por quem tem aversão.           
- diz que alguém “bebe como um gambá”, embora até hoje ninguém tenha tido notícia de um gambá alcoólatra.
- diz que alguém imobilizado em cima de uma cama “anda” doente.
- acha que para estar na frente é preciso ter sempre “um pé atrás”.
- chama de “consorte” mesmo quem é azarado no casamento.
- diz “vou chegando” quando vai saindo.
- chama de “galinha” um homem que vive atrás de mulheres.
- traça planos para o futuro, mas afirma que ele “a Deus pertence”.

Bolsa Feiura

Li há alguns dias que estão pensando em criar o Bolsa Feiura. Segundo o idealizador do projeto, vivemos numa sociedade que valoriza muito a beleza, e os que não a têm competem em desigualdade de condições com os bonitos. Uma forma de reparar essa injustiça seria destinar aos feios determinada quantia para que eles pudessem de alguma forma reduzir os efeitos da sua condição. Com o dinheiro comprariam produtos de beleza, frequentariam clínicas estéticas ou mesmo, se fosse o caso, fariam plástica.
Certamente isso vai gerar muitas críticas. Dirão que não tem sentido propor tal ajuda quando há no país milhares de indivíduos sem teto ou com fome. Esse argumento, contudo, é fácil de refutar. A feiura não é um problema social (a não ser, talvez, na China), mas entristece ou deprime muitas pessoas, o que indiretamente afeta o setor produtivo do País. Quem, sentindo-se por dentro “um lixo”, tem ânimo para fazer a contento o seu trabalho?
         Essa história de “estar bem consigo” tem fundamento. Se o espelho não nos aprova, tendemos a ignorar os outros e pouco nos importamos com o mundo. Em alguma medida, Freud tem razão: o universo é projeção do ego. Tendemos a moldá-lo conforme nossa disposição interior.   
Inclinamo-nos para o belo porque, segundo Stendhal, a beleza é uma promessa de felicidade; isso quer dizer que a feiura promete o oposto. Vinicius segue a mesma pisada ao afirmar, pedindo perdão às muito feias, que beleza é fundamental.
Como veem, o Bolsa Feiura tem um sólido aval literário (a não ser por Quasímodo, que compensa a corcunda com a beleza interior -- mas quem liga para ela hoje?). O projeto, se aprovado, não mudará ninguém mas servirá de inestimável consolo. Vai reparar um pouco o descuido (ou mesmo a imperícia) com que a natureza molda certas fisionomias.
O problema de um projeto como esse em nosso país é que poucos resistem a dinheiro que vem do Estado. Seguindo a prática do jeitinho, a maioria vai bolar artifícios para parecer mais feia do que é e ter direito à cota. Talvez isso produza um decréscimo na nossa vaidade, levando à crise o setor de produtos estéticos. Haveria protestos, demissões -- e aí, sim, a coisa ficaria feia.